Os concertos da Sinfônica de Campinas deste próximo final de semana, sábado, 7, às 20h, e domingo, 8, às 11h, no Teatro Castro Mendes, reservam muitas surpresas. Para começar, no mês dedicado aos professores, a orquestra presta homenagem a estes importantes mestres transmissores de conhecimento e inspiração.

Foto: Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas | Crédito: Arquivo PMC

Nestas apresentações, haverá ainda a segunda edição do projeto Por Dentro da Orquestra, que permite que o público possa assistir a segunda parte dos espetáculos diretamente do palco, como se fizesse parte do naipe dos músicos. As 60 primeiras pessoas interessadas (acima de 12 anos) que chegarem ao teatro, deverão se dirigir à mesa montada no saguão, onde receberão uma senha.

Por fim, outra novidade vem do próprio repertório: todas as peças não terão o naipe dos violinos. Difícil imaginar, mas é isso o que a Sinfônica de Campinas promete na interpretação das obras de Leopold Mozart (Sinfonia Burlesca, em Sol Maior ), Johann Sebastian Bach (Concerto de Brandenburgo n° 6, BWV 1051, em Si Bemol Maior ), Antonín Dvořák (Serenata Op. 44, em Ré Menor) e Johannes Brahms (Serenade n° 2, Op. 16).

Para esta particularidade, o maestro Victor Hugo Toro, regente titular da Sinfônica, tem a explicação: “Muitos grandes compositores da história exploraram a possibilidade de escrever obras orquestrais sem violinos, fugindo do brilhante virtuosismo do registro agudo e procurando, no lugar, o calor e riqueza dos registros meios e graves, com sonoridades escuras, densas e delicadas”.

Obras
Considerações do pesquisador Leonardo Augusto Cardoso de Oliveira.

LEOPOLD MOZART (Augsburgo, 1719 – Salzburgo, 1787)
Sinfonia Burlesca, em Sol Maior

As composições de Leopold Mozart ficaram ofuscada pelas de seu filho. Entretanto, escreveu obras sacras, serenatas, oratórios, concertos e sinfonias. Foi músico da corte e organista, além de violinista e professor. Entre seus alunos estão seus filhos, que precocemente iniciaram uma carreira musical. Viajaram por cidades europeias acompanhados pelo pai que os agenciava. Sua Sinfonia Burlesca tem um caráter alegre. O primeiro movimento funciona como uma abertura para a obra que seguirá. Os movimentos seguintes levam em seu nome personagens cômicos que foram utilizados como arquétipos da commedia dell’arte — Hanswusrt, Pantalone e Harlequino. As apresentações desses grupos eram improvisadas em praças públicas e utilizavam cenas do dia a dia para guiar as sátiras.

JOHANN SEBASTIAN BACH (Eisenach, 1685 – Leipzig, 1750)
Concerto de Brandenburgo N° 6, BWV 1051, em Si Bemol Maior

O concerto grosso foi tão importante para o período barroco quanto as sinfonias no clássico. Esta era uma das poucas formas em que mais de um músico poderiam tocar juntos e mostrar de forma virtuosística suas habilidades no instrumento. Bach não foi o precursor dessa forma de escrita, mas se influenciou da música italiana de compositores como Corelli, Albinoni e Vivaldi.

Apesar de ser o último da série, foi o primeiro a ser composto. As obras foram dedicadas a quem as encomendou: o Marquês de Brandemburgo, Christian Ludwig. Nessa época, os instrumentos graves da orquestra tinham papel de apoio para os agudos e assim a escrita incomum é significativa. Não apenas pela escolha de instrumentos, mas também inusitada é a escrita do compositor, que escreve mais livremente que de costume e reitera sua capacidade na arte da composição musical.

ANTONÍN DVOŘÁK (Nelahozeves, 1841 – Praga, 1904)
Serenata Op. 44, em Ré Menor

Caso exista uma música nacional, Dvořák foi um dos músicos do período romântico que procurou empregar melodias folclóricas e de caráter de seu país em suas composições. Essa preocupação é recorrente em outras artes e também em outros países. Observamos no movimento do período uma preocupação que marca a individualidade e ao mesmo tempo procura unificar uma Europa dividida. Essa é uma marca que também contribui para o caráter do compositor de afinidade com o povo.

As Serenatas eram escritas com o intuito de serem executadas durante o período da noite. Geralmente, eram de natureza intimista ou feitas para a aristocracia da época. Especialmente nessa, observamos momentos tanto de lirismo intimista como festividade, com toques do folclore tcheco. No último movimento, lembramos das bandas rústicas dos vilarejos do país.

JOHANNES BRAHMS (Hamburgo, 1833 – Viena, 1897)
Serenade N° 2, Op. 16

A música romântica de Brahms foi um contraponto às composições de seus contemporâneos que buscavam romper com o sistema tonal ou criar uma estrutura programática. Sua preocupação com a forma e a estrutura levaram a linguagem aos seus limites. Sua obra é extensa e sua melancolia e pessimismo do norte alemão se faz presente.

A primeira pessoa que conheceu sua segunda Serenata foi Clara Schumann que, assim como seu esposo, era uma grande amiga, para quem o compositor dedicou a obra. As ideias principais foram destinadas aos instrumentos de sopros para que o público não as confundisse com uma sinfonia. A obra se inicia com um movimento alegre relaxado, seguido por movimentos que trazem toques de danças folclóricas até chegar a um final grandioso. Nota-se o flautim que foi guardado para aparecer apenas nesse momento brilhante.