A tecnologia de pagamentos por aproximação — nas quais não há contato direto com o meio de pagamento e que é disseminada há anos em países como Japão, mas ainda não ganhou tração no Brasil — começa a ser explorada pelos grandes bancos. A primeira iniciativa nesse campo no país foi do Banco do Brasil, que desde 2015 permite o pagamento via NFC, sigla de Near Field Communication (comunicação por proximidade, em tradução livre) por meio do cartão de crédito Ourocard.

BANCO DO BRASIL ADOTA TECNOLOGIA NFC PARA PAGAMENTOS QUE DISPENSAM USO DE CARTÃO (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Já o Santander vai lançar em novembro um conjunto de soluções baseadas em NFC que permitirá ao correntista pagar do ônibus ao coco na praia sem precisar de cartão. O objetivo é ir além dos smartphones equipados com NFC e incluir dispositivos vestíveis, como pulseiras e adesivos.

O NFC é a tecnologia mais usada para troca de informações entre aparelhos sem a necessidade de fios ou conexão com a internet. Enquanto o cartão de crédito precisa ser inserido na máquina, as tecnologias de NFC requerem apenas aproximar o dispositivo da maquininha.

Adesivo “vira” cartão
Embora o Brasil tenha a segunda maior base de máquinas de cartões com capacidade de aceitar pagamentos via NFC, com penetração de mais de 70%, o usuário tem opções limitadas do lado dos bancos, e a maioria depende de smartphones topo de linha compatíveis com a tecnologia.

O Santander — que lançou uma carteira digital no app para pagar via NFC —, passará a ofertar uma pulseira à prova d’água e stickers, adesivos que o cliente poderá colocar onde quiser, que poderão substituir os cartões. Dessa forma, as compras podem ser feitas sem dinheiro ou celular.

Para compras de até R$ 50, o sistema dispensará o uso de senha. O custo dos vestíveis equipados com NFC ainda não foi determinado mas, segundo Rodrigo Cury, superintendente de cartões do Santander, ficará entre R$ 30 e R$ 35.

O Itaú Unibanco tem um projeto-piloto de pagamento via NFC em sua base de clientes e disse que o serviço estará disponível em breve. As maquininhas de sua subsidiária Rede já são, em sua maioria, preparadas para a tecnologia, dependendo apenas de serem habilitadas.

O Bradesco já experimenta a tecnologia de cartões de crédito contactless desde 2011 e, recentemente, fez parceria para introduzir seus cartões Bradesco Visa nas carteiras digitais de Samsung e Android. Durante as Olimpíadas do Rio, o banco e a Visa realizaram um experimento com 3 mil clientes que ganharam uma pulseira NFC atreladas a um cartão pré-pago.

Por enquanto, no mundo, a aplicação mais abrangente é o Samsung Pay, que funciona em alguns smartphones da sul-coreana e é compatível com cartões de BB, Caixa, Santander e outros bancos menores. A solução da fabricante do iPhone, a Apple Pay, que já existe desde 2014, ainda não foi lançada no Brasil. O Android Pay, da Google, também não está disponível.

Passagem de ônibus
O Santander vai começar a explorar a tecnologia nos transportes públicos, primeiro nos ônibus de Jundiaí (SP), por meio de uma parceria com a prefeitura. A partir de setembro, os passageiros poderão pagar a passagem por meio do app Santander Way em smartphones Androids que possuem NFC, de pulseiras ou adesivo. O banco já negocia com prefeituras para lançar o serviço em até cinco grandes cidades brasileiras no início de 2018.

“O ônibus é uma das coisas que ainda não se pode pagar com cartão, enquanto a frota já é adaptada ao NFC por causa dos bilhetes únicos, que usam essa tecnologia”, disse Cury, completando que o banco está desenvolvendo outros vestíveis.

Outro foco do banco são os pedágios. O Santander firmou parceira com a Ecorodovias para que a cobrança em vias como a Ponte Rio-Niterói esteja adaptada ao NFC a partir de novembro.