Este foi um ano repleto de grandes negócios no Brasil e no exterior. E em todos os setores. De cervejarias a companhias de entretenimento, nomes de peso foram às compras (ou foram vendidos). Natura, Heineken, Itaú Unibanco e Disney encabeçam a lista das fusões e aquisições. Confira os maiores na lista abaixo:

Novo gigante do tabaco

BAT COMPROU A REYNOLDS (FOTO: MATT CARDY/GETTY IMAGES)

A fabricante britânica de cigarros British American Tobacco (BAT), que no Brasil é dona da Souza Cruz, anunciou logo no começo do ano a compra da rival americana Reynolds American em uma transação de cerca de US$ 50 bilhões. Com o acordo, a BAT se tornou a líder do setor nos EUA e a maior empresa de tabaco do mundo com ações negociadas em bolsa. A BAT já era dona de marcas como Dunhill e Lucky Strike. Por sua vez, a Reynolds, focada principalmente no mercado americano, vendia Newport, Camel e Pall Mall.

A consolidação das óticas

ÓCULOS RAY BAN, DA LUXOTTICA (FOTO: DIMITRIOS KAMBOURIS/GETTY IMAGES FOR LUXOTTICA)

A italiana Luxottica, maior fabricante mundial de óculos de luxo — dona de marcas como Ray Ban e Oakley — e a francesa Essilor — líder global em lentes de contato— anunciaram em janeiro uma fusão de 46 bilhões de euros que criou uma potência global no setor de óticas, com receitas superiores a 15 bilhões de euros. A nova empresa se chama Essilor-Luxottica e tem suas ações negociadas na Bolsa de Paris. Agora, vende seus produtos em mais de 150 países.

Invasão holandesa

CERVEJAS DA HEINEKEN VISTAS EM MERCADO NA FRANÇA (FOTO: ERIC GAILLARD/REUTERS)

Em fevereiro, a Heineken anunciou a assinatura de um acordo com a Kirin Holdings Company para adquirir a operação brasileira da Brasil Kirin por 664 milhões de euros. Com a aquisição, a Heineken pula para o segundo lugar entre as maiores cervejarias do país — com uma participação de quase 19%. O portfólio da Kirin incluía marcas como a Schin e a Devassa, além das chamadas marcas especiais Baden Baden e Eisenbahn. Por sua vez, a Heineken já era dona da cerveja homônima e de marcas como Amstel, Kaiser e Bavaria.

Se não pode vencê-los…

EXCRITÓRIO DA XP INVESTIMENTOS (FOTO: DIVULGAÇÃO)

O Itaú Unibanco, maior banco privado do país, anunciou em maio um acordo para comprar, por R$ 5,7 bilhões, 49,9% da XP Investimentos, maior corretora do país. Com a aquisição, o gigante do setor financeiro prevê ampliar receitas com serviços nos próximos anos e ganhar participação no mercado de fundos de investimentos, de acordo com Candido Bracher, presidente-executivo do Itaú. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), no entanto, considerou em outubro que a compra era complexa e pediu informações adicionais.

…junte-se a eles

CARLOS WIZARD E FLAVIO AUGUSTO SILVA FECHARAM PARCERIA NA WISEUP (FOTO: REPRODUÇÃO/INSTAGRAM)

Antes competidores, agora sócios. Três anos após vender o Grupo Multi, dono da escola de inglês Wizard, o empresário Carlos Wizard anunciou a aquisição de 35% da rede WiseUp, fundada por Flavio Augusto da Silva. O investimento de R$ 200 milhões foi realizado pela Sforza, gestora dos recursos da família Wizard, junto à Santorini, empresa de Charles Martins, filho do empresário. Atualmente, a WiseUp possui 280 unidades espalhadas pelo país.

Mídia e tecnologia

SEDE DO YAHOO NA CALIFÓRNIA (FOTO: TONY AVELAR/BLOOMBERG VIA GETTY IMAGES)

A Verizon Communications, operadora de telefonia móvel líder nos EUA, comprou o Yahoo por US$ 4,48 bilhões em junho. O preço inicial seria US$ 350 milhões mais alto, mas veio à tona que o Yahoo sofreu uma série de violações de dados e seu valor acabou caindo. Ainda assim, o negócio representou uma grande jogada das telecomunicações para desafiar o domínio da publicidade online no Vale do Silício. Sob comando da Verizon, Yahoo e AOL foram combinados para integrar uma nova empresa de mídia e tecnologia chamada Oath.

União de grifes

LOJA DA GRIFE MICHAEL KORS NA CHINA (FOTO: GETTY IMAGES)

A norte-americana Michael Kors comprou a icônica marca de sapatos de luxo Jimmy Choo por US$ 1,2 bilhão. A grife de sapatos ficou mundialmente famosa por ser uma das favoritas da Princesa Diana e por ter aparecido como um dos objetos de consumo mais desejados da personagem Carrie Bradshaw na série “Sex and the City”.

União improvável

WHOLE FOODS MARKET EM PITTSBURG, NOS EUA (FOTO: DIVULGAÇÃO)

A gigante de comércio eletrônico Amazon demonstrou mais uma vez como está se impondo no setor do comércio varejista ao anunciar em junho a compra da rede de supermercados Whole Foods, uma operação avaliada em US$ 13,7 bilhões. Fundada em 1978, a rede tem 460 lojas em EUA, Canadá e Reino Unido. O passo dado pela Amazon representa um treemendo avanço, mas também mais arriscado. A rede de supermercados, líder em produtos orgânicos, vinha sofrendo reflexos da crise que o varejo tradicional atravessa frente ao avanço dos negócios eletrônicos.

O sonho grande da Natura

THE BODY SHOP, QUE ANTES ESTAVA NAS MÃOS DA MULTINACIONAL FRANCESA LORÉAL (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Em junho, a fabricante de cosméticos brasileira Natura fez o lance mais ousado da história da empresa: a compra de 100% da inglesa The Body Shop, que antes pertencia à francesa L’Oréal, por 1 bilhão de euros. No mês seguinte, o Cade aprovou a aquisição sem restrições. É a sua maior chance de ganhar o mundo — e espantar a estagnação dos últimos anos. O grupo agora tem operações em 69 países, 18 mil funcionários, 3.200 lojas e 1,8 milhão de consultoras.

Nova página

LOJA FNAC NA AVENIDA PAULISTA, EM SÃO PAULO: UMA DAS 12 UNIDADES DA EMPRESA NO BRASIL (FOTO: DIVULGAÇÃO)

A varejista francesa Fnac Darty surpreendeu o mercado editorial em julho anunciando a venda de suas operações no Brasil à Livraria Cultura. Desde o início do ano, a empresa, que conta com 12 lojas no país, tinha expressado sua vontade de encerrar as atividades por aqui. O que causou surpresa não foi a venda em si, mas a forma como se deu a operação. A Fnac ofereceu aproximadamente R$ 130 milhões para ir embora sem nada. Ou seja, “pagou para sair”. A tática seria mais barata (e vantajosa à marca) do que simplesmente fechar as portas.

Vendendo tudo

WESLEY BATISTA E JOESLEY BATISTA (FOTO: GUILHERME ZAUITH; MARCELO MIN)

Não dá para dizer que os irmãos Joesley e Wesley Batista, da holding J&F, tiveram um ano dos mais gloriosos. Em meio a acusações de corrupção e forte pressão pública, o grupo se desfez de uma porção de ativos. Vendeu sua participação controladora de 86% na fabricante de calçados Alpargatas por R$ 3,5 bilhões para a Cambuhy Investimentos, Itaúsa e Brasil Warrant. Abriu mão da Eldorado Celulose por pouco mais de R$ 1 bilhão pagos pela companhia Paper Excellence, com sede na Holanda. Passou para frente ainda sua participação acionária de 19,43% na Vigor por aproximadamente R$ 786 milhões para os mexicanos do Grupo Lala. Para completar, a irlandesa Moy Park foi vendida para a norte-americana Pilgrim’s Pride (duas empresas que fazem parte do grupo JBS) a fim de favorecer o resultado da compradora.

Uma empresa falida

FACHADA DA SEDE DA EMPRESA ELECTROLUX EM ESTOCOLMO (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Em outubro, a sueca Electrolux assumiu os direitos da marca de eletrodomésticos Continental na América Latina, após a corte brasileira que administra a falência da Mabe aceitar a oferta de R$ 70 milhões para aquisição da propriedade intelectual da empresa falida. Segundo a compradora, a Continental é um ativo valioso para a Electrolux, apoiando o crescimento contínuo e lucrativo na região.

Orgânicos brasileiros

PRODUTOS DA EMPRESA MÃE TERRA (FOTO: REPRODUÇÃO/FACEBOOK)

A Unilever comprou em outubro a empresa brasileira de alimentos naturais Mãe Terra, por um valor não divulgado. A Mãe Terra foi uma marca de rápido crescimento no Brasil, oferecendo o consumo consciente de alimentos orgânicos e nutritivos desde que foi criada, em 1979. Ela atua em várias categorias com um portfólio que inclui cereais orgânicos, biscoitos, snacks e produtos culinários.

Novas águas

ESCRITÓRIO DA EMPRESA PEIXE URBANO (FOTO: DIVULGAÇÃO)

As empresas de compras coletivas Peixe Urbano e Groupon Brasil uniram-se. As operações não serão modificadas e ambas as plataformas continuarão ativas. A expectativa, no entanto, é que “gradualmente, os usuários das duas marcas tenham o mesmo cardápio de ofertas”. O valor do negócio não foi divulgado. “É uma soma de fortalezas”, resumiu Félix Lulion, diretor-executivo do Groupon Brasil.

A maior do ano

REDE DE FARMÁCIAS CVS (FOTO: REPRODUÇÃO/YOUTUBE)

A operadora de redes de farmácias norte-americana CVS HealthCorp, dona no Brasil da Drogaria Onofre, comprou a companhia de planos de saúde Aetna por US$ 69 bilhões, visando reduzir os crescentes gastos com saúde por meio de serviços médicos de baixo custo em farmácias. A união combinou uma das maiores administradoras de benefícios farmacêuticos dos Estados Unidos e operadora de farmácias com um dos planos de saúde mais antigos, cujas negócios nacionais variam de planos corporativos até governamentais. Essa foi a maior aquisição do ano.

Ainda incerto

PROPAGANDA DA ITAMBÉ (FOTO: REPRODUÇÃO/YOUTUBE)

No início de dezembro, a Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR) anunciou a venda de 100% das ações da Itambé Alimentos para o Grupo Lactalis, além de um acordo de longo prazo de fornecimento de leite da CCPR para a Itambé, “com vistas a preservar e permitir o crescimento das bacias leiteiras de Minas Gerais e Goiás”. A estimativa era que a aquisição da Itambé pelo Lactalis fosse concluída no primeiro semestre de 2018. No entanto, no último dia 18, a 1ª Vara Empresarial e de Conflitos relacionados à Arbitragem suspendeu a venda.

Mickey vai às compras

LOGO DA DISNEY NA TIMES SQUARE, EM NOVA IORQUE (FOTO: DREW ANGERER/GETTY IMAGES)

Para fechar o ano, o grupo Walt Disney comprou a maior parte das ações da 21st Century Fox por US$ 52,4 bilhões, desmembrando assim o “império midiático” de Rupert Murdoch. A transação inclui a 21st Century Fox’s Films e os estúdios de televisão, canais de entretenimento a cabo e negócios internacionais de TV. Marcas populares de entretenimento, incluindo o “X-Men”, “Avatar”, “The Simpsons”, “FX Networks” e “National Geographic” vão se juntar ao portfólio da Disney.