A fábrica de software do futuro não deverá se parecer com supercomputadores processando milhares de dados e entregando soluções padronizadas (na linguagem técnica, o chamado mainframe). Ela precisa continuar sendo ágil – mas de forma também segura, automatizada, bem desenhada e integrada.

DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE TEM TENDÊNCIAS COM CIBERSEGURANÇA E DESIGN (FOTO: GETTY IMAGES/ARQUIVO)

Ao menos é o que defendem executivos e analistas que participaram do Built To Change, evento realizado pela CA Technologies em Santa Clara, na Califórnia, nesta terça-feira (05). Veja abaixo algumas das tendências que permearam as discussões sobre o software do futuro

Cibersegurança
Um dos principais pontos discutidos foi a necessidade de descentralizar as ações de cibersegurança dentro de uma empresa, para que essa preocupação seja prática, ágil e eficiente na hora de prevenir fraudes e violações. É preciso também que seja uma iniciativa preventiva. Pesquisa realizada pela CA Technologies com seus clientes – entre eles bancos, governos e instituições do setor privado – mostrou que 50% dessas empresas tirou do ar um serviço após uma violação. Além disso, 89% delas, apesar do discurso em prol de maior segurança operacional, reusam as mesmas senhas e logins nos serviços – renunciando a modos mais sofisticados de autenticação. É preciso criar confiança, e não apenas softwares e aplicações eficientes. “Se não for possível gerar a confiança digital no software a ser vendido, a fábrica de softwares já pode ser fechada”, disse Sam King, CTO da Veracode.

Machine learning e automação
Grande parte das empresas ainda faz testes de softwares de forma manual – o que bloqueia o processo de inovação contínua e não fornece as respostas rápidas que o contexto de transformação digital exige. “As pessoas não podem mais ficar fechadas em um lugar tentando descobrir falhas de segurança porque tudo ganhou uma escala gigantesca. É muito difícil falar de cibersegurança efetiva sem envolver automação e machine learning para calcular risco de fraudes”, defendeu Mo Rosen, VP de Security da CA. O machine learning, que usa métodos estatísticos para ensinar um computador a ler dados, ganha papel central dentro da “moderna fábrica de software”. “É um elemento fundamental para descobrir como melhorar a eficiência. Porque hoje há duas coisas que uma empresa não pode fazer: exagerar na reação de um problema ou subestimá-lo”, disse Karl Kleinert, da consultoria Intellinet.

Integração
Outro discurso que pautou o evento foi a necessidade de integração. Com tantos softwares coletando milhares de dados, torna-se mais eficaz fazer com que esses “dados conversem entre si” do que criar novas aplicações para captá-los. A aplicação pela aplicação do software não é mais importante, segundo Ashok Reddy, DevOps do Group GM. “O que importa é como o software irá ajudar a empresa a conduzir as mudanças que precisa diante da transformação digital.”

Open source
O mercado de softwares, assim como tantos outros, também foi aberto e compartilhado por completo. E isso mudou todo o jogo. “No passado, 90% dos softwares eram criados por empresas. Hoje, a maioria é feita por desenvolvedores.” É por isso que discutir cibersegurança tornou-se inviável sem colocar os desenvolvedores na mesa. Talvez por isso, a Microsoft tenha anunciado a aquisição do GitHub, uma espécie de banco de códigos. O mundo está Open Source, ou seja, a maioria dos códigos hoje criados é feito de forma totalmente aberta. A discussão agora é: “como usar esse Open Source de forma segura?”.

Design
A roupagem mais moderna do uso de softwares inclui pensar em criar novas experiências dos usuários, mais customizadas e, por que não, melhor apresentadas. O design das soluções fornecidas importa para os clientes, segundo Jeff Scheaffer, Continuous Delivery da GM. Os clientes, segundo executivos que falaram no evento, querem “sentir” que aquela determinada foi construída inteiramente para eles. E o design tem grande papel nesta nova estratégia.