Segunda a revista veja, manifestantes protestam em várias capitais brasileiras no início da noite desta terça-feira 3, para pedir que o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeite o habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) impetrado para evitar sua prisão pela Operação Lava Jato. O julgamento será nesta quarta-feira, a partir das 14 horas, em Brasília.

Manifestantes pedem a prisão de Lula em frente ao Masp, na Avenida Paulista (Heitor Feitosa/VEJA.com)

No início da noite, cerca de 1.500 pessoas protestavam na cidade para pedir a prisão do petista.

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Uma das maiores manifestações ocorre na Avenida Paulista, na região central de São Paulo. Manifestantes de verde e amarelo interromperam o fluxo de veículos em seis quarteirões da via – entre as alamedas Campinas e Ministro Rocha Azevedo. O protesto é organizado por grupos que se definem como sendo de direita no espectro político e que ganharam relevância a partir de 2015 ao impulsionar o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), como o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem pra Rua.

Havia duas grandes concentrações de manifestantes – uma em frente à sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), liderada pelo Vem pra Rua, e outra no Museu de Arte de São Paulo (Masp), coordenada pelo MBL. Nos microfones e nos cartazes, pedidos para que o ex-presidente seja preso, além de mensagens pressionando o STF, com argumentos como o de que a Corte “não pode dar as costas ao povo”. Por volta das 20 horas, a Polícia Militar estimava em 5.000 o número de manifestantes na Paulista.

“Precisamos dar ordem nesse país. Não só para protestar contra o Lula, mas contra todos os políticos corruptos. Eles não podem ficar impunes. Não podemos ir a Brasília, mas viemos aqui”, disse a fisioterapeuta Maísa Brito, 54 anos, fisioterapeuta, que foi sozinha do Planalto Paulista, bairro da zona sul paulistana.

“Vamos mostrar para as pessoas a importância de manter o atual entendimento da prisão em segunda instância. O Lula é um criminoso condenado, então, claro que ele tem que ser preso. Mas nosso protesto vai além dele”, disse Adelaide Oliveira, uma das coordenadores nacionais do Vem pra Rua.

Pelo país
No Rio de Janeiro, a manifestação para pedir que o ex-presidente seja preso reúne atores como Victor Fasano, Luana Piovani e Carlos Vereza. O pré-candidato do Partido Novo, João Amoêdo, também esteve no local. Os manifestantes estão reunidos na Avenida Atlântica no quarteirão entre a Xavier da Silveira e a Miguel Lemos. O trânsito na avenida foi interrompido neste trecho, na altura do posto 5.

Em Curitiba, onde Lula foi condenado pelo juiz Sergio Moro, centenas de manifestantes se reuniram na Boca Maldita, tradicional palco de protestos no centro da cidade, para pedir a manutenção pelo STF da prisão após decisão em segundo grau. A manifestação teve um momento de tensão quando dois carros de som ficaram próximos um ao outro. Um dos líderes de um grupo maior, que reuniu o movimento Curitiba contra a Corrupção e Acampamento Lava Jato, disse que o caminhão do grupo Impeachment Curitiba estava atrapalhando o protesto. Depois de uma breve discussão, o segundo carro de som se afastou.

Uma outra manifestação ocorreu em frente ao prédio da Justiça Federal em Curitiba. Organizado pelo MBL e pelo Vem pra Rua, o ato contou com execução do Hino Nacional e palavras de ordem contra Lula. “Houve uma divisão geográfica dos movimentos, mas a luta é a mesma. Não queremos um STF de conluios políticos, por isso queremos Lula preso”, disse Júnior Ramos, um dos coordenadores do MBL no Paraná.

Carro de som com a figura de um pixuleco durante protesto contra o ex-presidente Lula, na praia de Copacabana, no Rio (Ricardo Moraes/Reuters)zoom_out_map

Em Belo Horizonte, grupos pró e contra Lula ficaram a cerca de 800 metros um do outro. Na Praça da Liberdade, os organizadores do ato contra o petista avaliaram em 5.000 o número de manifestantes – a Polícia Militar não fez estimativa. Já a concentração a favor do ex-presidente ocorreu na Praça Afonso Arinos – não há estimativa de público.

Milhares de pessoas ocuparam em Porto Alegre a Avenida Goethe, em frente ao Parcão, como é conhecido o Parque Moinhos de Vento, onde o MBL e o Vem pra Rua costumam realizar suas manifestações. Por volta das 18 horas, horário do evento, centenas de pessoas se dirigiam a pé ao local vestidas de verde e amarelo. Na passarela para pedestres que cruza a avenida, uma faixa com os dizeres “A lei é igual para todos” ficava visível também para os motoristas.

Em Fortaleza, o Vem pra Rua reuniu 1.500 pessoas, segundo a organização na Praça Portugal – a PM não fez estimativa. No Recife, milhares de manifestantes se reúnem na Praia de Boa Viagem e bloqueiam totalmente a avenida do mesmo nome.

Em Americana e Santa Bárbara manifestantes protestam contra pedido de habeas corpus de Lula

Segundo o jornal O Liberal, manifestantes contrários à liberação do habeas corpus preventivo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniram nesta terça-feira (3), em Americana e Santa Bárbara d’Oeste. Os atos acontecem um dia antes do julgamento do pedido feito pela defesa do petista no STF (Supremo Tribunal Federal), que tenta impedir a prisão de Lula até que não caiba mais nenhum recurso, ou seja, quando o processo transitar em julgado. Diversas cidades brasileiras também realizaram protestos.

Em Americana, sob gritos de Lula na Cadeia, em média 120 pessoas ocuparam a Avenida Brasil. Uma pequena caminhada foi realizada na mesma via e os protestantes carregavam faixas e bonecos que simulavam Lula com roupa de presidiário. A concentração ocorreu em frente ao Paço Municipal.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Cerca de 120 pessoas se reuniram em protesto em Americana

O organizador do evento, que foi promovido pelo MBL (Movimento Brasil Livre), Caio Alexandre Gomes, diz que o movimento pretende levar a voz das ruas aos ministros do STF. “A nossa justiça está fragilizada, nós entendemos que a suprema corte que é responsável por resguardar as leis da República, não está mais fazendo isso. E o pior, ela está junto com o maior bandido de todos os tempos”, conclui Gomes.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Grupo protestou contra o pedido de habeas corpus do ex-presidente Lula, que será julgado pelo STF nesta quarta-feira

O representante comercial Rogério Salvador Santos, de 47 anos, está revoltado com a suprema corte do País. “Foi condenado em primeira e segunda instância, que negócio é esse de levar para o Supremo? Tem que condenar e prender. A lei é igual para todos”, diz Santos.

Santa Bárbara

Em Santa Bárbara d’Oeste, cerca de 50 pessoas se reuniram no Memorial da Migração, na Avenida Santa Bárbara, em frente ao Tivoli Shopping. O trânsito foi interditado. As palavras utilizadas no discurso eram direcionadas a Lula e em vários momentos com teor ofensivo e de baixo calão.

O coordenador do movimento “Vem pra Rua” de Americana e Santa Bárbara d’Oeste, Valmir Hedlund, explicou que o ato na cidade simboliza a vontade do povo e acompanha os movimentos nacionais. “Estamos pressionando o STF para que o habeas corpus seja negado, porque o que acontece hoje no país é uma excrescência jurídica”, afirma.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Protesto em Santa Bárbara reuniu aproximadamente 50 pessoas nesta terça-feira

Durante o protesto, participantes acenderam as lanternas dos celulares e iluminaram a bandeira do Brasil, enquanto cantavam o hino nacional.

A aposentada Aparecida De Nadai, de 69 anos, se disse revoltada não apenas com o ex-presidente, mas com todos os políticos brasileiros. “Brasileiro está ganhando um salário de fome e os políticos roubando. Fora políticos do Brasil!”, exclamou.

Condenação

O ex Presidente foi condenado em segunda instância a 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do Triplex em Guarujá, na Operação Lava Jato. O julgamento foi iniciado no STF no dia 22 de março e será retomado nesta quarta-feira.