O sumiço de postos de trabalho, por assustador que pareça, tem um papel a desempenhar. Numa economia funcional, novas formas de trabalhar e novos negócios sucedem aos anteriores. Se forem mais produtivos, contribuem com a prosperidade geral.

O DESEMPREGO PROLONGADO TEM EFEITOS NEFASTOS NOS PROFISSIONAIS

No Brasil, ciclos de aquecimento e esfriamento se alternam sem que o país passe a trabalhar melhor – um mal da economia fechada, travada e pouco inovadora que somos. Já a Suécia vem conseguindo tornar a rotatividade de profissionais um fator de aumento de produtividade, graças a um modelo agressivo de recolocação de desempregados.

Segundo um estudo da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, entidade que inclui a maioria dos países desenvolvidos), 85% dos demitidos na Suécia reencontram emprego em menos de um ano, graças à política pública dos conselhos de segurança do emprego (ou TRR, na sigla em sueco). Esses grupos reúnem representantes de empresas e entidades sociais e se sustentam com recursos privados. Mais ágeis que órgãos governamentais, os conselhos atuam logo após a demissão e se mobilizam para encontrar um novo emprego para o trabalhador. Aí entra a diferença essencial: em vez de tentar recolocá-lo na mesma função (muitas vezes ultrapassada por tecnologia ou mudanças de mercado), os conselhos abrem para ele novas opções profissionais. Fazem isso por meio de novos treinamentos, testes de personalidade, avaliação e reorganização de currículo, entre outras ações. Também prestam ajuda psicológica no período de transição e fornecem auxílio financeiro durante o desemprego, sobretudo àqueles com mais de 40 anos.

O modelo fortalece a economia como um todo, pois facilita o fechamento de vagas improdutivas sem provocar reações de sindicatos – fortes e combativos na Suécia. Afinal, o demitido rapidamente se recoloca em outra função (um efeito nefasto do desemprego prolongado é que o profissional, defasado, tem dificuldade crescente em se recolocar). O acesso aos conselhos se limita aos profissionais sindicalizados, que correspondem a 70% da força de trabalho no país.

A política sueca parece tomar a dianteira ante à de outros países da Europa. Nos modelos tradicionais, escritórios do governo tentam dar treinamento aos desempregados, enquanto sindicatos tentam defender postos de trabalho, em vez de ajudar o profissional a se adaptar. Na Suécia, como reza o principal lema dos conselhos, “a meta não é defender empregos, mas dar apoio aos trabalhadores”.