Pesquisadores de duas universidades holandesas estão tentando acabar com uma das complicações causadas pelo mal de Parkinson: o congelamento da marcha. Trata-se de uma pausa imprevisível na caminhada, que acontece ao dar um novo passo ou mudar de direção. O pé permanece colado no chão, mas a parte superior do corpo continua a avançar, o que pode resultar em perda de equilíbrio ou até em uma queda.

SAPATOS CONTAM COM LASERS ACOPLADOS (FOTO: DIVULGAÇÃO/UNIVERSIDADE DE TWENTE)

Para eliminar (ou pelo menos aliviar) o problema, os pesquisadores não recorreram a nada muito futurístico — decidiram unir dois objetos que já existem em um só.

Em um estudo recente, publicado no periódico científico “Neurology”, eles apresentaram sapatos com lasers acoplados. A intenção é que a luz projetada no chão pelos lasers ajude a estimular os usuários a andarem.

Os calçados “beneficiam significativamente o usuário”, de acordo com as pesquisas da Universidade de Twente e do centro médico da universidade de Radboud. Como a pausa no congelamento da marcha pode ser desencadeada pelo estresse de um ambiente desconhecido, a luz pode ajudar a manter o foco.

“O paciente de Parkinson apresenta um fenômeno único. Ao olhar conscientemente objetos no chão, como as linhas de uma faixa de pedestres, eles são capazes de superar seus bloqueios durante a caminhada. Isso ativa outros circuitos no cérebro, liberando os bloqueios e permitindo que a pessoa continue andando”, diz um comunicado da Universidade de Twente.

Nos testes realizados pelos pesquisadores em ambientes controlados com 21 participantes, o número de episódios de congelamento foi reduzido em 46% com o uso dos sapatos. A duração desses episódios também caiu pela metade. Agora, as universidades querem expandir os testes.