Pela primeira vez em sua história, a Sinfônica de Campinas interpreta uma das obras mais geniais e sedutoras do repertório orquestral, a “Sinfonia nº 9”, de Gustav Mahler (1860-1911).

Maestro Victor Hugo Toro rege a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas

As novidades sonoras não param por aí: os músicos entram no circuito das homenagens ao compositor francês Claude Debussy (1862-1918) pelo centenário de morte e apresentam o famoso “Prélude à l’après-midi d’un faune”.

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O jovem autor campineiro, Igor Maia, também está na partitura com sua “Iamí” (que significa “noite”, em tupi).

Sobre a escolha do programa, o maestro Toro inicia por Debussy, “considerado um dos iniciadores da modernidade na arte ocidental. “Prélude à l’Après-midi d’un faune” é uma música ao mesmo tempo sensual e indiferente, música fluida, evasiva, ambígua em termos de compasso ou tonalidade”.

Do compositor Igor Maia, a orquestra apresenta sua “Imaí”. “A peça relaciona-se com a tradição impressionista por ser uma resposta pessoal às experiências do compositor nas florestas de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte”, afirma o pesquisador Leonardo Augusto Cardoso de Oliveira . “A primeira versão de ‘Iamí’ foi escrita em 2016 e estreada em Londres pela orquestra do Goodenough College regida pelo compositor. Posteriormente, foi revisada para uma leitura com a Orquestra Sinfônica de Bournemouth, da Inglaterra. A versão apresentada pela Orquestra Sinfônica de Campinas é a estreia mundial da versão definitiva da obra”.

Maia cursou doutorado em composição musical no King’s College London, na Inglaterra; mestrado em Música na Unicamp e bacharelado em composição e teoria musical no Conservatório Real de Haia (Holanda).

Para fechar o concerto, a orquestra interpreta a “Sinfonia nº 9”, de Gustav Mahler. “Esta obra é tradicionalmente associada às ideias de morte, luto, testamento espiritual, tendo sido estreada um ano após a morte do compositor”, detalha Toro. A composição tem uma “nostalgia do adeus” tão característica de Mahler como expressão genuína de densos sentimentos “interiores e imediatos”. “A Sinfonia n.º 9 é uma obra sobre a maneira de pensar o ‘adeus’, e de integrá-lo numa obra de arte. A indicação ‘morrendo’, notada repetidas vezes na partitura, indica que esta música já não é deste mundo, criando uma sonoridade etérea e metafísica, fator que talvez explique a profunda comoção interior que esta sinfonia produz nos ouvintes”.