As 160 tendas, somadas, ocupam 12 mil metros quadrados de cobertura. Para montar toda essa estrutura é necessária a mão de obra de aproximadamente 300 pessoas. Esses são alguns dos números da 35ª Festa das Nações de Piracicaba. São números superlativos que se completam com outro: para mover toda essa engrenagem, a partir da quarta-feira, 16/05, quase 7.000 voluntários chegam ao Engenho Central para atender a milhares de pessoas que vão até o local para aproveitar a gastronomia e os shows e ajudar 21 instituições sociais de Piracicaba, para quem a renda da festa é revertida.

Ana, Isabel, Lídia e Roberta são voluntárias da Festa das Nações de Piracicaba

“Os voluntários têm um papel fundamental na Festa das Nações. Trabalhamos muito na organização do evento e contamos com eles para que tudo aconteça conforme o planejado. E a cada ano temos melhorado essa sintonia. Muitos deles deixam compromissos pessoais de lado, sua família em casa, se dedicam quase que o dia todo, em uma rotina pesada de trabalho para que a festa seja um sucesso porque as instituições sociais dependem dela para fechar suas contas anuais. Só temos de agradecer aos voluntários, aos membros das instituições e patrocinadores pelo sucesso”, observa o vice-prefeito e secretário de Governo e Desenvolvimento Econômico, José Antonio de Godoy

O trabalho dos voluntários merece destaque. Muitos deles, bem antes da festa, já começam a se dedicar às tarefas. A rotina é extenuante, mas cumprida com dedicação e paixão. Tanto é que muitos dos voluntários fazem esse trabalho há anos. Alguns, desde que a festa começou, em 1983, ainda no Lar Franciscano de Menores.

É o caso de Isabel Martins, 73, e Ana Maria Orsini Rossi, 58, que há 35 anos são voluntárias no restaurante Espanha, capitaneado pela Creche Marshlea Dawsey e que tem a paella como prato de sucesso.

“Quando comecei a ser voluntária estava grávida. A gente tinha de parar o carro na avenida Rui Barbosa porque não tinha estacionamento como tem hoje e descia e subia a pé. Colocava meu filho debaixo do balcão enquanto trabalhava. Meu filho também virou voluntário”, diverte-se Ana, que é assistente social de formação e atua na festa como coordenadora das ações da creche. Ana envolveu toda a família no voluntariado da festa e também os pais dos alunos da creche.

Foi também como voluntária que Isabel acabou ajudando na fundação da Creche Marshlea Dawsey, nos anos 1970. Mais tarde, já formada assistente social, foi contratada para trabalhar no local e continuou o trabalho voluntário, agora na Festa das Nações. “No começo da Festa das Nações, o que sustentava a barraca (como eram chamados os restaurantes antes) era a venda de churros, comandada pelo meu marido”, contou a baiana de Senhor do Bonfim, há mais de 50 anos em Piracicaba. Para ela, ajudar os outros é um dom, com o qual as pessoas já nascem.

UMA PROMESSA… – Roberta Rodrigues Bendassoli, 76 anos, tem uma história de superação que a liga à festa. Quando a filha Gláucia Cristina Bendassoli nasceu, tinha apenas 20% de vida por conta de uma deficiência intelectual e Roberta fez uma promessa: se ela sobrevivesse, trabalharia em prol das pessoas nas mesmas condições da filha. Quarenta anos depois, Gláucia está saudável e feliz, com um emprego em uma multinacional, que conseguiu por meio da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). E Roberta já soma 32 anos de voluntariado no restaurante Brasil Sul, mantido pela Associação Síndrome de Down – Espaço Pipa.

“O que me motiva cada vez mais é ver que aqueles bebês que não tinham chances de vida, de se desenvolver, hoje estão trabalhando em supermercados, em indústrias. Isso me arrepia”, diz Roberta, se referindo a crianças com deficiência que conheceu. Segundo ela, em muitos desses casos, a inclusão foi possível graças à ajuda que as instituições tiveram e têm por meio da Festa das Nações.

Já Lídia Adame Dias, 72 anos, se sentia meio desanimada quando, há 22 anos, recebeu um convite para ser voluntária na Brasil Sul. Encontrou um novo sentido para a vida. “Comecei lavando pratos, copos, que ainda eram de vidro. Era tanto prato e copo”, diverte-se. “Não parei mais. Aí a depressão foi embora, saiu, não teve jeito. Eu adoro, fico o dia inteiro na festa se for preciso”.

Lídia, que hoje atua como uma espécie de cozinheira-chefe no restaurante, embora não aceite o título por modéstia, lembra que um mês antes já começa a fazer a mise en place, expressão da culinária francesa que define o conjunto de operações que precedem a preparação de um prato, com o corte e medição de ingredientes, etc. “Um mês antes a gente já começa a cortar a mandioca para congelar, e também a carne seca, o bacon”, conta.

Ana, Isabel, Lídia e Roberta são voluntárias da Festa das Nações de Piracicaba

Todas as voluntárias lembram com saudade e bom humor as etapas anteriores da festa, como os grandes shows, a chuva que entrava nas barracas, mas todas concordam que hoje a estrutura e o novo formato dão muito mais conforto. “A festa voltou a ser para a família toda, voltamos para o social”, observa Ana. “Tudo isso é possível graças aos quase 7.000 voluntários. Se tivéssemos de pagar a esses voluntários essa festa não seria possível. Temos de agradecer a todos”, conclui Ana, que também atua junto ao poder público na organização do evento.

A Festa das Nações, que acontece de 16 a 20 de maio, no Engenho Central, é realizada pela Fenapi (Associação Cultural Festa das Nações de Piracicaba) e pela Casa do Bom Menino, com recursos da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, e promovida pela Prefeitura de Piracicaba, por meio do Fussp (Fundo Social de Solidariedade de Piracicaba), com organização da Secretaria Municipal de Governo e Desenvolvimento Econômico. A renda da festa será revertida para 21 instituições sociais de Piracicaba.

A 35ª Festa das Nações tem o patrocínio Ouro da Hyundai Motors Brasil; patrocínio Prata da Brahma Extra e Caterpillar Brasil, e Bronze da Ambiental Piracicaba, Arcelor Mittal, CJ do Brasil, Gás Express, Sicredi e OJI Papeis Especiais. O apoio é da Águas do Mirante, Coplacana, Elring Klinger, Raízen, Unimed. Toda a sua renda é revertida para 21 instituições sociais de Piracicaba.

SERVIÇO – 35ª Festa das Nações de Piracicaba. De 16 a 20 de maio, no Engenho Central, avenida Maurice Allain, 454. Ingressos a R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Quarta, 16, e qui, 17, todos pagam meia. Informações no site http://www.festadasnacoespiracicaba.com.br/

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