Ainda móvel, mas diferente: essa é a Nokia atual. A empresa de origem finlandesa, que fincou raízes no Brasil fazendo fama com os aparelhos celulares antes da era do smartphone, agora tem outra cara. Depois de já ter passado pelas mãos da Microsoft, encerrado a divisão mobile e retornado a ela indiretamente licenciando sua marca, a Nokia agora aposta principalmente nos serviços de infraestrutura e conxeões empresariais, fornecendo plataformas para as operadoras de telecomunicações e investindo em novas tecnologias B2B.

A NOKIA AFIRMA SEGUIR APOSTANDO FORTEMENTE NO MERCADO BRASILEIRO (FOTO: DAVID RAMOS/ GETTY IMAGES)

Em evento na sua sede em São Paulo, a companhia apresentou na manhã de hoje (15/05) suas principais apostas para o futuro. Trazidas diretamente do Mobile World Congress, que aconteceu em Barcelona no fim de fevereiro, as novidades vão desde um wi-fi mais potente a soluções de comunicação para equipes que atuam em áreas remotas. Em alguns casos, elas ainda miram ao consumidor final, mas chegando a ele por meio de outras empresas – a marca de celulares segue com diversos lançamentos, mas foi licenciada para uma empresa parceira.

“Os consumidores têm uma demanda constante. As empresas precisam oferecer melhores serviços e produtos a eles. Pensamos sempre nas operadoras, que poderão levar nossas soluções para clientes empresariais e também pessoas físicas”, afirma Diana Coll, diretora de marketing da Nokia para a América Latina.

Segundo a colombiana, a Nokia continua com altas expectativa em relação ao Brasil, onde vê diversas possibilidades para as novidades que a empresa está trazendo ao mercado. “Há grandes oportunidades para serem exploradas no país. No caso da solução de IoT [internet das coisas – veja mais detalhes abaixo], o agronegócio tem muito a ganhar com conectividade que permita rastrear suas mercadorias exportadas”, diz. Diana ressalta que a Nokia mantém parcerias com universidades brasileiras, como a PUC do Paraná e do Rio de Janeiro, para o desenvolvimento de novas tecnologias no país.

Lançamentos

Durante a edição 2018 do Mobile World Congress, realizada em Barcelona entre 26 de fevereiro e 1º de março, a Nokia apresentou diversas soluções de conectividade. Veja abaixo o resumo das novidades, que vão desde melhorias para o uso doméstico da internet até ferramentas logísticas para empresas:

Nokia Wi-fi: 30% das reclamações que as operadoras de telefonia recebem, segundo a Nokia, dizem respeito a conexões lentas. E muitas vezes não pelo serviço prestado, mas por problemas no wi-fi. Para isso, a companhia apresentou seu novo produto, composto de um gateway (recebedor da conexão) e beacons (sinalizadores) que irão amplificar a conexão em todo o ambiente doméstico. Sem fios, esses aparelhos são autoconfigurados e podem ser conectados a redes fibra óptica onde elas existem. Eles vêm acompanhados de software e aplicativo mobile para administração da rede e identificação de pontos de conexões mais fracas.

A Nokia avalia vender diretamente o produto, mas a princípio ele deverá chegar aos consumidores por meio das operadoras, a partir de junho deste ano.

Sensores Wing (IoT): Localização precisa de mercadorias é uma demanda antiga das empresas, seja em galpões logísticos, terminais portuários ou mesmo para quem está vendendo ou comprando algo. Agora, com a plataforma Wing, a Nokia promete levar informações de inteligência, como temperatura e vibração, para qualquer produto sensível a essas características, além de estimar o tempo de chegada. Tudo por meio de sensores que se conectam automaticamente a qualquer tipo de rede e enviam informações em tempo real para o receptor central — um aparelho semelhante a um roteador chamado Air Sense. Cada um deles é capaz de administrar até 2 mil sensores. A Nokia afirma já estar testando o produto no exterior com empresas como Renault e Fedex.

Comunicação crítica: Há situações em que ter uma conexão disponível é realmente questão de vida ou morte. Mas há também lugares em que o acesso é ruim e intermitente — como

áreas rurais e de difícil acesso. É para esses casos que a Nokia traz um novo produto para a chamada ‘comunicação crítica. “Uma equipe de mineradores com pessoas dentro e fora das minas, por exemplo, não pode perder o contato. O mesmo vale para equipes de resgate, segurança, etc”, explica Diana Coll.

WILSON CARDOSO, CTO DA NOKIA
NA AMÉRICA LATINA (FOTO: RAFAEL FAUSTINO)

A solução é composta de terminais robustos – como smartphones mais parrudos – que têm antenas mais potentes e podem fazer chamadas em vídeo, além de ter a movimentação monitorada em um software central. Ela pode incluir ainda um modem móvel levado em uma mochila para acesso a lugares mais remotos.

5G em 2019
Para que todas essas soluções funcionem sem grandes problemas, a Nokia, que participa dos testes internacionais para as conexões 5G, prevê para o ano que vem a chegada da nova geração de conectividade ao país. A companhia, que tem parcerias com as principais operadoras brasileiras e foi responsável pela expansão do 4G nacional da TIM na faixa de 700 MHz, afirma já estar preparada para quando o aval for dado.

“Esperamos que [o 5G] chegue em 2019 ao Brasil. Tudo o que foi feito para o 4G na faixa de 1,8 GHz pode também receber a de 3,5 GHz, que será a do 5G. Basta a Anatel regulamentar”, afirma Wilson Cardoso, CTO da Nokia para a América Latina. A faixa de frequência citada, de 3,5 GHz, é a mais cotada pela agência reguladora para ser usada na operação do 5G, mas precisa ser “limpa”, uma vez ainda é utilizada pela transmissão de TV via satélite.