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É possível ser um grande líder e não deixar a vida pessoal de lado

Manter equilíbrio entre carreira e família exige mudança no estilo de trabalho, confiança e noção de prioridades

O CEO da Tesla e da SpaceX, Elon Musk, twittou em novembro que ninguém mudou o mundo trabalhando 40 horas por semana. Ele raramente dorme ou vê seus filhos. Tim Cook, da Apple, acessa o e-mail antes do nascer o sol. E o bilionário Mark Cuban trabalhou até às 2h para lançar seu primeiro negócio e diz não ter tirado férias por sete anos.

Esses intensos estilos de trabalho são vistos frequentemente como a única maneira de chegar ao topo e ser um líder superprodutivo. De fato, pesquisas mostram que gerentes e executivos descrevem o “trabalhador ideal” como alguém sem vida pessoal.

E a maioria dos próprios líderes — aqueles que dão o tom para as organizações e servem como modelo para a equipe — acham que o equilíbrio entre vida e trabalho é “na melhor das hipóteses, um ideal ilusório e, na pior das hipóteses, um mito completo”.

Em uma entrevista, os três melhores executivos eleitos pela Harvard Business Review disseram que trabalhavam 24/7 (24 horas por dia e 7 dias por semana) e admitiram que não eram bons exemplos de equilíbrio entre vida pessoal e carreira.

Mas tem que ser assim?
Essa é uma pergunta que Jessica DeGroot tentou responder há quase 20 anos, quando fundou o Instituto ThirdPath, uma organização sem fins lucrativos dedicada a ajudar as pessoas a encontrar tempo para o trabalho, a família e a vida.

Ela formou um grupo de homens e mulheres na gerência sênior de escritórios de advocacia, entidades de serviços públicos e financeiros, pequenas empresas e empresas da Fortune 500 como Booz Allen Hamilton, Eli Lilly, Marriott, IBM e Ford. “Todos nós queríamos trabalhar e viver, mas não sabíamos como”, disse.

Os líderes do grupo não tinham um modelo de gestão equilibrada. E as poucas pessoas com quem Jéssica conversou sabiam como poderiam ter.

Em telefonemas e reuniões regulares por quase duas décadas, os integrantes do grupo se ajudam a descobrir como trabalhar de forma mais eficaz para ter tempo de vida, compartilhar estratégias de sucesso e aprender com fracassos.

Durante um dos webinars mensais, os profissionais começaram a compartilhar fotos da família e a conversar sobre suas vidas fora do trabalho. Em seguida, o grupo iniciou uma discussão sobre limites, excesso de trabalho e equilíbrio entre carreira e vida pessoal em situações de emergência na empresa ou na vida — e, às vezes, em ambos os casos.

Um homem, que dividia seu trabalho como os cuidados de uma criança doente, disse que agora está colhendo os frutos de todos os anos em que lutou para balencear a vida pessoal e a carreira. “A estratégia me permitiu ter um vínculo maior com minha filha agora, o que é realmente incrível”, disse ele, em estado de anonimato, à reportagem.

Para os líderes resistirem à pressão do status quo e priorizarem o equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional, é preciso cultivar três habilidades: aprender a trabalhar de maneira diferente com suas equipes — colocando a família em primeiro lugar — e mudar a própria mentalidade para não só acreditar que a transformação é possível, mas para se permitir tentar, e, por último, falar sobre isso.

As histórias de dois líderes exemplificam como isso pode ser feito. Confira abaixo:

Aprenda a trabalhar de maneira diferente: como muitos homens de sua geração, Ivan Axelrod, de 72 anos, diretor administrativo de uma firma de administração financeira em Los Angeles, passou a maior parte de sua vida crescendo na hierarquia corporativa como principal provedor de casa. Ele decidiu mudar, no entanto, quando se tornou avô. Seus próprios pais morreram quando seus filhos eram jovens e nunca os conheceram. Por este motivo, ele queria algo diferente para os netos. “Eu queria que eles conhecessem o avô deles.”

Acredite em seu plano: com poucos modelos, alguém como Axelrod tinha primeiro de imaginar como ele realmente queria combinar trabalho e vida. Então, ele teve de acreditar que não só era firme o suficiente para tentar, mas também — por meio de uma série de tentativas e erros — sustentar a mudança a longo prazo.

Coloque sua vida em primeiro lugar: imaginar uma maneira diferente de trabalhar e viver também significa adotar uma mentalidade que reconheça o trabalho e a família. Will Rowe, com 59 anos, diretor da consultoria Booz Allen Hamilton, em Washington (EUA), e sua esposa Teresa, pediatra, começaram o casamento prometendo colocar a família, a fé e a amizade em primeiro lugar. Ambos queriam carreiras importantes, mas não esmagadoras. Os pais de Rowe eram viciados em trabalho e raramente se viam. Por este motivo, acabaram se divorciando. Então, uma vez que Rowe e sua esposa começaram uma família, o casal se comprometeu a passar tanto tempo com a família quanto possível.

O horário flexível permitiu que ele fosse ativo em sua vizinhança e na comunidade de fé, e deu a ele a coragem de pedir ao chefe um período sabático de seis meses para viajar com a família. À medida que seus filhos cresceram, ele também subiu na carreira.

Rowe continuou a trabalhar em horários flexíveis, habilmente fazendo malabarismos com teleconferências na fila da escola e trocando o horário do trabalho para acomodar tanto seus clientes quanto sua família. Ser claro sobre as prioridades da família, rotineiramente falando com eles e planejando juntos, tem sido a chave para fazer seu trabalho e vida familiar funcionarem. “Algumas coisas na vida são mais importantes que o trabalho”, garante.

Fonte
Época Negócios

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