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Em 2019, CEOs preocupados com meio ambiente querem governo atento a duas questões

Após a conferência COP24 na Polônia, empresários e executivos vão conversar com governo Bolsonaro sobre matriz energética e reuso de água

CEOs preocupados com a crise ambiental escolheram, como prioridades para atuação em 2019 junto ao governo federal, a transição energética (rumo a uma economia menos dependente de combustíveis fósseis) e o cuidado com a água, incluindo saneamento e reuso. Representantes da CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável) afirmam já ter revalidado essas prioridades com a equipe do presidente eleito, Jair Bolsonaro.“O próximo passo é conversar com os novos ministros para que possamos entender juntos as prioridades das agendas”, afirma Ana Carolina Szklo, diretora de desenvolvimento institucional do CEBDS. A entidade reúne 60 dos maiores grupos atuantes no país, incluindo nomes como Ambev, Braskem, Itaú, Microsoft, Natura, Unilever e Votorantim.

A executiva explicou essa estratégia na primeira quinzena de dezembro, no Espaço Brasil na conferência internacional COP24, em Katowice, Polônia. O último dia de funcionamento do espaço, 13 de dezembro, foi inteiramente dedicado aos negócios. Os paineis abordaram temas como a proposta para precificação de carbono no país; iniciativas do setor privado brasileiro no âmbito da agenda sobre mudança do clima; estratégias empresariais e soluções de negócios na agenda climática para atrair investimentos.

Todas as palestras contaram com a participação do CEBDS, fundado em 1997 por um grupo de empresários brasileiros. A entidade é uma associação civil sem fins lucrativos que promove o desenvolvimento sustentável nas empresas que atuam no Brasil. “Fazemos isso por meio da articulação junto aos governos e a sociedade”, explica Ana Carolina.

O faturamento das empresas participantes equivalente a cerca de 45% do PIB brasileiro e, juntas, elas respondem por mais de 1 milhão de empregos, afirma Laura Albuquerque, assessora técnica do CEBDS e coordenadora da Câmara Temática de Energia e Mudança do Clima (CTClima). O CEBDS representa no Brasil a rede do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), que conta com quase 60 conselhos nacionais e regionais em 36 países.

Na COP24, o CEBDS divulgou o relatório “Como as empresas vêm contribuindo com o Acordo de Paris”, elaborado pela entidade, com a participação de 38 companhias, sendo 21 brasileiras e as demais, multinacionais que operam no Brasil. “Há números bastante expressivos, tanto em investimentos realizados em medidas de redução de gases de efeito estufa, quanto nas diminuições já alcançadas”, diz Laura.

A EMISSÃO DE GASES CAUSADORES DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS SE TORNOU PREOCUPAÇÃO DE DIFERENTES SETORES EMPRESARIAIS (FOTO: THINKSTOCK)

O estudo, que detalha os cases vivenciados pelas empresas no combate aos GEE, abarca negócios em todos os nichos. “Há representantes do setor produtivo e do financeiro, demostrando iniciativas feitas por cinco bancos”, diz Laura. O relatório mostra que de 2016 a 2017, houve uma redução nas emissões de GEE de quase 1%, e 35% das empresas brasileiras diminuíram suas emissões por razões ligadas a alteração na produção e por ações de redução das emissões.

De acordo com o relatório, nos últimos três anos as empresas brasileiras implantaram 1.340 projetos, totalizando um investimento de US$ 85,8 bilhões em ações para redução de emissões, principalmente em ações de eficiência energética, otimização de processos e busca por fontes energéticas de baixo carbono.

O valor investido em projetos cresceu desde 2015, quando houveram investimentos de US$ 26,5 bilhões, seguido de uma queda expressiva para US$ 23,1 bilhões, em 2016, e do crescimento para US$ 36,2 bilhões, em 2017. Juntos, esses projetos contribuíram para uma redução de mais de 217,9 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera, sendo que a maior redução de emissões de GEE desses anos, 60% da redução acumulada, foi devido aos projetos investidos em 2017.

Dentre as empresas retratadas nos cases, cinco (ou 25%) já participam de algum sistema regulado de precificação de carbono em outros países. Oito delas (38%) anunciam algum sistema regulado de precificação de carbono nos próximos três anos. E seis (29%), não têm previsão de nenhum sistema regulado nesse mesmo período. Dos negócios que fizeram parte do relatório, 57% (12 de 21) geraram ou compraram créditos de carbono em 2017, sendo que a maioria gerou créditos.

Segundo Laura Albuquerque, as corporações já envolvidas no mercado de carbono estão ansiosas pelo desenvolvimento desse comércio no Brasil. Em julho de 2017, o CEBDS estruturou uma Proposta de Precificação de Carbono para a Indústria em um modelo de mercado de carbono e vislumbra ações de curto prazo para estruturar as bases das negociações no Brasil.

Na opinião das executivas, o CEBDS vem para representar a voz do setor privado em eventos dessa magnitude. “Podemos apresentar o quanto o segmento já tem avançado no Brasil, além de olhar para o quanto ainda podemos fazer”, declara Ana Carolina Szklo. A diretora explica que é muito importante participar, em especial dessa edição, realizada três anos após a assinatura do Acordo de Paris, que representa um marco relevante nas negociações.

A Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) brasileira propõe a redução de 37% das emissões de GEE nacionais até 2025, o equivalente a reduzir 787 milhões de toneladas de CO2. Além de uma indicação de redução de 43% das emissões nacionais até 2030 (cerca de 925 milhões tCO2e), considerando como base nos níveis registrados em 2005 de emissões nacionais de 2.133 milhões de toneladas de CO2.

Ana Carolina afirma que no momento em que o Brasil publicou sua NDC, apresentando algumas metas específicas para diversos setores, o país acaba automaticamente assumindo compromissos. “As empresas precisam ficar atentas para se alinharem com essas diretrizes”. Na opinião da diretora, é importante que o governo dê sinais claros da implementação de certas medidas para que as companhias possam saber se isso mexe com seus projetos, investimentos e a concorrência com outros setores e países. “Há um reflexo interno que é bastante importante”, completa Ana Carolina.

A boa notícia, de acordo com Laura, é que existe um movimento voluntário das empresas brasileiras preocupadas em fazer uma transição para o baixo carbono. “A importância da COP é reforçar qual é o sinal político que agiliza os investimentos e dá segurança jurídica para as empresas continuarem no caminho e acelerar essas mudanças”, diz. Para isso, a entidade trabalha junto ao poder público por meio de um conselho de CEOs formado por líderes de algumas das corporações signatárias da CEBDS. “Eles se reúnem quatro vezes ao ano com a alta liderança do setor público”, comenta Laura.

Sendo 2018 um ano de eleição, a entidade desenvolveu uma agenda com 10 propostas do setor privado que, na opinião desses CEOs, resumem os temas prioritários da agenda de sustentabilidade que deveriam ser trabalhadas junto ao governo nos próximos anos. “É uma agenda positiva e propositiva que foi apresentada a todos os candidatos à presidência, assim como fizemos em 2014”, esclarece Laura. Uma vez definido o representante para governar o país, os executivos da entidade levam as propostas aos ministros da Fazenda e do Meio Ambiente, prioritariamente.

Ana Carolina explica que esse documento inclui dez propostas que englobam assuntos relacionados a energia, desmatamento, transporte, financiamento climático, gênero e mercado de carbono. “A ideia é trabalhar de duas a três propostas por vez e esgotar os dez temas durante os quatro anos de mandato.” .

Fonte
Época Negócios.

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