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Piracicaba apresenta “Museu de Memórias Fugazes”

Museu Prudente de Moraes recebe mostra sobre memórias e vivências de crianças em situação de vulnerabilidade social

Com o objetivo de trazer à tona as memórias e as vivências de crianças em situação de vulnerabilidade social, será aberta na próxima terça-feira, (8), no Museu Prudente de Moraes, a exposição multimídia intitulada “Museu de Memórias Fugazes”. A instalação, que utiliza suportes interativos, óculos de realidade virtual, paisagem sonora e projeções sobre tecidos, é coordenada pelo fotógrafo e psicólogo Paulo Munhoz e fica aberta à visitação no espaço, até o dia (16). A entrada é gratuita.

Financiada pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC), da Prefeitura Municipal de Piracicaba e Secretaria da Ação Cultural e Turismo (SemacTur), a mostra passará ainda, nos primeiros meses de 2019, por outros importantes espaços culturais da cidade: Teatro Municipal Dr. Losso Netto (1 a 11/2), Centro Cultural Martha Watts (12 a 18/2) e Armazém 5 do Engenho Central (19 a 25/2).

A instalação reúne fotografias e paisagem sonora em um ambiente virtual, em que são utilizados suporte de tour 360 e óculos VR, além de projeção de imagens sobre elementos encontrados na mesma. A musicista, professora e pesquisadora Ester Ferreira atua na construção e composição da paisagem sonora.

“Entre os intuitos estão o de promover a reflexão do uso da tecnologia como uma ferramenta de comunicação parcial, gerar reflexão, de forma a trabalhar questões fundamentais como a diversidade e, ainda, oferecer uma vivência artística voltada às novas tecnologias artísticas ao público em geral”, afirma o coordenador.

MEMÓRIAS E IDENTIDADE – Ao longo de sua trajetória profissional, Munhoz tem criado obras que buscam revelar o interior e as experiências dos indivíduos de forma interativa ou por meio de suportes alternativos. Ao pesquisar os sentimentos e as percepções das crianças e adolescentes em instituições de acolhimento e vivenciar essa realidade transitória, o artista observou que tais jovens passam por adaptações, transformações e redefinições de sua identidade.

Em sua obra “Estudos Históricos, Memória e Identidade Social” (1992), Michael Pollack explica que a memória é um fenômeno social e coletivo, construído em grupo e submetido a transformações constantes. Ela transmite a cultura local herdada e é constituída por acontecimentos vividos socialmente. De acordo com o autor, a memória é seletiva, uma vez que nem todos os fatos ficam registrados e os indivíduos só têm recordações dos momentos que ficaram marcados subjetivamente.

Já Elizabeth dos Santos, em “A Construção Social da Memória” (2000), fala que a recordação é afetada por transformações inconscientes, em função e interesses e sentimentos, individuais ou coletivos. Nessa perspectiva, a memória coletiva só se efetiva na medida em que os sentimentos, pensamentos e ações de cada indivíduo são expressos nos meios e circunstâncias sociais, onde este possui vínculo, convivência e conhecimento.

“A partir destas constatações e, ao estudar trabalhos nessa área, levantou-se a necessidade de realizar a manutenção da história dessas crianças, garantindo a elas o direito de resgatar memórias referentes ao convívio dentro das instituições para que possam se reconhecer dentro de tempo e espaço e para que essas vivências também possam ser aceitas em nossa sociedade”, afirma Paulo.

“Assim, o objetivo do trabalho é evidenciar gravações dos conteúdos internos e percepções das pessoas acolhidas por essas instituições, mantendo suas memórias em uma espécie de plano virtual, para que possam ser acessadas, garantindo seu reconhecimento e abrindo uma janela para o passado, que é constituído por fatos bons ou ruins, que nos fazem quem somos”, completa o coordenador.

Fonte
A de I/Piracicaba.

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