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Etapa da Fórmula E pode ajudar a difundir carros elétricos no Brasil

Felipe Massa concorda com a possibilidade de a capital do Brasil receber uma etapa da Fórmula E

Com um dos autódromos mais queridos do mundo, Interlagos, e uma lista consistente de pilotos de renome, incluindo alguns campeões mundiais, o Brasil é reconhecido como um dos grandes países quando o assunto é o automobilismo. A Fórmula E, entretanto, ainda não passou por nossas terras, com as corridas na América Latina ocorrendo, primeiro, na Argentina e, nas temporadas mais recentes, no Chile.

A escolha, principalmente de Santiago, não é uma coincidência. O mercado automotivo aberto do Chile, com quase 60 marcas e pouca regulação estatal, colocou o país em uma posição de destaque no segmento da eletrificação. Hoje, é lá que estão a maioria dos veículos do tipo na América Latina e também as principais iniciativas de instalação de infraestrutura. E a cidade, claro, para para ver a Fórmula E no circuito de rua de Parque O’Higgins.

A categoria, que recebeu na atual temporada a certificação da Federação Internacional do Automóvel (FIA) para se tornar uma competição de nível mundial, tem dois brasileiros no grid. O veterano Felipe Massa compete em um dos carros da Rokit Venturi, enquanto Lucas Di Grassi, também com passagem pela Fórmula 1, ocupa um dos assentos da Audi. E ambos desejam ver uma corrida acontecendo no Brasil.

“O Brasil ainda é muito mal-informado sobre a tecnologia elétrica e os avanços que ela gera na qualidade de vida das pessoas, na poluição e no trânsito. O mesmo vale para os nossos governantes, que têm ideias muito antiquadas e fazem com que [o nosso país] sempre esteja alguns anos atrasado em qualquer grande tendência”, afirma Di Grassi. Para o piloto da Audi, o apoio dado pelo Chile à Fórmula E é uma via de mão dupla, que também faz com que a eletrificação cresça por lá.

Para as montadoras, essa também é vista como a tecnologia do futuro. A Nissan, uma das grandes fabricantes de carros da categoria em todo o mundo, viu um crescimento de 68% nas vendas de carros elétricos no Chile em 2019, um aumento que acontece ano a ano na medida em que, segundo ela, os clientes se impressionam com a tecnologia.

Tanto que, de acordo com Luis Alberto Pérez, diretor de marketing da Nissan para a América Latina, não é raro ouvir de compradores do Leaf, o principal carro elétrico da marca, que nunca mais voltarão a adquirir um veículo movido a combustão. “A experiência é como a de dirigir uma pluma, com um controle muito mais leve e motor silencioso”, completa o executivo, citando também que, para o dia a dia das grandes cidades, máquinas assim acabam sendo as ideias pela autonomia e a ideia de que não mais seria preciso “perder tempo em um posto de gasolina”.+

Incentivo ao test drive do Leaf mesmo para clientes que desejam outros veículos da marca, campanhas de divulgação e parcerias com universidades em iniciativas de criação de infraestrutura estão entre as outras iniciativas da fabricante japonesa para fazer com que a eletrificação seja cada vez mais parte da vida das pessoas, inclusive no Brasil. A participação na Fórmula E, então, chega como uma forma de demonstrar o poder bruto dessa tecnologia.

Michael Carmano, diretor da equipe Nissan e.Dams, ao lado do piloto Oliver Rowland (Imagem: Felipe Demartini)

“As corridas de automóvel requerem desenvolvimento inovador e engenharia audaz. A experiência de 70 anos com carros elétricos e 500 mil Leafs vendidos em todo o mundo nos ajudaram a chegar [à Fórmula E] como uma equipe competitiva”, explicou Michael Carmano, diretor da equipe. Acima disso, para ele, essa é também a forma pela qual a Nissan divulga o que é capaz de fazer e testa tecnologia de ponta que, mais tarde, dará as caras nos veículos da montadora.

A equipe que está em sua segunda temporada na competição tem Sébastien Buemi em um dos assentos, ao lado do novato promissor Oliver Rowland. No ano passado, a Nissan e.Dams alcançou bons resultados e chegou a ter seis pole positions, divididas igualmente entre a dupla, além de uma vitória do suíço. Na temporada atual e após um resultado ruim na terceira etapa, no Chile, ela está na sétima colocação entre os fabricantes e tem o inglês em sexto no campeonato de pilotos.

A Fórmula E gera o que Pérez chama de “efeito ‘uau’”. As pistas de rua estreitas e a performance parelha dos carros faz com que ajustes e pilotos sejam definidores dos resultados, com provas em que absolutamente tudo pode acontecer. E para o executivo, ao verem todo o poder daqueles carros nas pistas urbanas, parece óbvio que os consumidores também desejarão ter um veículo desse tipo na garagem.

Negociações complexas

O piloto brasileiro Lucas Di Grassi é um dos que trabalham para trazer uma etapa da Fórmula E ao Brasil (Imagem: Felipe Demartini)

Para Di Grassi, a capital paulista seria a cidade ideal para um começo da Fórmula E no país, tanto pelo aspecto financeiro e de mercado quanto pelo fato de a metrópole já ser reconhecida pela tradição no automobilismo. “Depois, por beleza natural, poderíamos seguir para o Rio de Janeiro (RJ), Florianópolis (SC) ou até Brasília (DF)”, completa.

Felipe Massa concorda com a possibilidade de a capital do Brasil receber uma etapa da Fórmula E e ainda coloca Curitiba (PR) como outra opção. Em ambos os casos, a ideia também seria aproveitar as belezas dessas localidades e, também, ampliar o alcance dos eventos do automobilismo brasileiro, com um calendário que abranja mais pessoas.

Di Grassi enxerga grandes chances de vermos uma etapa em nosso país nos próximos anos, apesar dos problemas recentes e, principalmente, da situação econômica atual do país. “A maior pergunta sempre é sobre quem vai pagar essa conta”, afirma o piloto. “Caso recursos públicos sejam usados para isso, é importante que sejam direcionados para empresas nacionais e também melhorias para a população”.

Corridas de rua da Fórmula E no Brasil podem acontecer no Anhembi, em SP, ou na Cidade do Rock, no Rio (Imagem: Divulgação/Nissan e.Dams)

O atleta se refere a obras que sempre acompanham a realização de eventos desse tipo, como a aplicação de asfalto para a corrida ou a necessidade de contratação de empresas para montar estruturas, preparar instalações e servir alimentação, entre diferentes outras necessidades. “[Esse dinheiro] tem que permanecer no país, gerando retorno para a economia local.”

A possibilidade de um ePrix no Brasil é real e vem sendo ventilada há pelo menos três anos. As conversas que pareciam levar a um resultado certo, com direito até mesmo a anúncio de São Paulo como etapa da Fórmula E, caíram por terra no final de 2017 por conta do processo de privatização do Anhembi, onde a prova aconteceria. Desde então, a ideia voltou à mesa de negociações, sem nenhum tipo de avanço concreto, com o Rio de Janeiro também entrando na dança com uma proposta encabeçada pelo também piloto Nelsinho Piquet.

Alberto Longo, o cofundador da categoria, garante que a chegada da Fórmula E ao Brasil não vai demorar, mas não pôde confirmar se a corrida aconteceria em São Paulo ou no Rio de Janeiro. Ele, entretanto, deu um prazo mais ou menos concreto, afirmando que o país deve passar a fazer parte do calendário até a temporada de 2022 e citou o apoio do presidente Jair Bolsonaro à competição como positivo para que as conversas avancem.

Fonte
Canaltche

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