Venda direta chega ao mercado de serviços de saúde

A health tech Vale Saúde Sempre, que emite e administra cartões pré-pagos de saúde, planeja chegar a 700 mil clientes em 2021, atraindo usuários que gravitam entre o SUS e os convênios

A pandemia afetou o setor de saúde em vários níveis: com a alta do desemprego e a queda na renda, mais de 327 mil usuários perderam seus planos em 2020, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

De olho na fatia de público que gravita entre SUS e (falta de) convênio médico, a Vale Saúde Sempre, pioneira com mais de dez anos de atividades no segmento de cartão de saúde pré-pago – ou seja, em que o usuário coloca créditos de acordo com a necessidade de uso -, agora aposta nas vendas diretas.

Longe do modelo tradicional de vendas diretas imortalizado por consultores de empresas de cosméticos, o novo modelo consiste em uma plataforma de marketing digital, que usa redes sociais como Facebook, ou até o Google, para apresentar o cartão pré-pago de serviços de saúde a novos interessados.

“Usaremos mídias digitais para mais pessoas conhecerem o cartão. Temos site, central de atendimento por telefone e pelo Whatsapp, mas se o usuário tiver interesse pelo nosso produto nas redes, é só clicar e fechar o negócio sozinho. O processo é totalmente on-line”, explica Eduardo Brigagão, fundador e CEO da Vale Saúde.

Para expandir esse modelo de vendas diretas, a companhia deve contar com seus 15 parceiros de negócio, que são redes varejistas como Riachuelo, Oscar Calçados e supermercados D’Avó, prestadores de serviços como a Uber, e até algumas do ramo financeiro e de cartões, como a Credsystem e a Alelo.

Como essas empresas já revendem o cartão saúde aos seus consumidores e até funcionários, e hoje respondem por 99% dos negócios da empresa, segundo Brigagão, a perspectiva, com a plataforma, é ampliar seu alcance onde os parceiros têm pontos de venda, mas que ainda não oferecem o Vale Saúde Sempre.

BRIGAGÃO: CRESCIMENTO ACELERADO NAS MÍDIAS DIGITAIS – FOTO: Freepik

“A expectativa agora é aumentar nossa base de clientes em 200 mil até o final de 2021”, afirma o CEO, que têm ampla experiência no ramo de cartões e já dirigiu empresas como Credicard e Citibank.

A estratégia busca o aumento do número de beneficiários, hoje mais de 500 mil consumidores finais e empreendedores individuais, e a expansão da rede credenciada, com mais de 12 mil opções em clínicas, laboratórios e hospitais em todo o Brasil – inclusive telemedicina, que ganhou força com o isolamento social.

COMO FUNCIONA

Num país de 212 milhões de habitantes, apenas 46 milhões têm plano de saúde, lembra Brigagão, citando dados da ANS. E é essa ‘brecha’ de que a Vale Saúde Sempre tem procurado ocupar.

“Os convênios médicos perderam mais de 3 milhões de clientes nos últimos anos”, afirma. “O cartão é útil, pois oferece a essas pessoas um programa em que elas podem ter acesso à saúde com qualidade.”

Mediante pagamento de assinatura de R$ 29,90 mensais, essa espécie de ‘Netflix da saúde’, segundo o CEO, promete acesso aos melhores hospitais, clínicas e laboratórios em condições especiais.

Ou seja, no mesmo valor que o plano de saúde pagaria para esses estabelecimentos: enquanto um teste ergométrico custaria em torno de R$ 400, em média, pelo sistema particular, pelo Vale Saúde Sempre o mesmo exame custa R$ 80. Já uma consulta, que em geral custaria entre R$ 120 e R$ 250, sai por R$ 60.

“O cliente deposita o valor no cartão, em pontos de recarga ou via boleto e, quando vai à clínica médica, não poderá ser cobrado por um valor diferente do negociado pela Vale Saúde”, explica. “Assim, nós garantimos que ele terá uma consulta ou exame de qualidade, pagando exatamente o que foi combinado.”

Além de estudar as melhores clínicas e os melhores profissionais de saúde de cada região, a companhia também negocia as condições com cada um deles, adaptando os preços às necessidades de cada cliente.

Mas a Vale Saúde, que na verdade é uma health tech de meios de pagamento que administra os cartões pré-pagos, destina a maioria dos investimentos para tecnologia, já que é responsável pela captura de transações, transmissões de dados, processamento de cartões e até do pagamento das clínicas médicas e laboratórios.

A estratégia, que se baseia em diferenciais como acesso a cirurgias em hospitais de primeira linha, como o Oswaldo Cruz, segundo Brigagão, utilização sem carência, sem restrições a doenças pré-existentes e até descontos em medicamentos, é que “tem ajudado o nosso crescimento a ser acelerado”, acredita.

“Nosso faturamento cresceu 251% em 2020, que ficou em R$ 4 milhões. A expectativa agora é chegar a R$ 7 milhões em 2021, com os clientes novos trazidos pelas vendas diretas”, finaliza.

Fonte: Diário do Comércio.

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