24 de fevereiro de 2024 22:58
De acordo com Paulino, que trabalhou no gabinete de fevereiro de 2019 até outubro de 2022, com salário de R$ 19.562, os pedidos para repassar parte do seu salário começaram no início de 2019, logo após Janones assumir o seu primeiro mandato.

Parlamentar do Avante nega irregularidades e afirma que recolhimento de valores, sugerido antes de assumir mandato, não foi colocadoemprática

A suspeita de rachadinha no gabinete de Janones é investigada pela Polícia Federal desde 2021. Em áudios divulgados na segunda-feira pelo site Metrópoles, o deputado diz que os servidores deveriam usar uma fatia dos salários recebidos da Câmara para pagar dívidas de campanha. O parlamentar nega ter praticado qualquer irregularidade e afirmou nas redes sociais que o pedido revelado na gravação foi feito ainda antes de se eleger, em 2018, para pessoas que ainda não trabalhavam em sua equipe. Janones disse ainda que não colocou a sugestão em prática, já que a ideia foi “vetada” por sua advogada. Procurado pela reportagem para falar sobre a acusação dos ex-funcionários, ele não retornou aos contatos.

De acordo com Paulino, que trabalhou no gabinete de fevereiro de 2019 até outubro de 2022, com salário de R$ 19.562, os pedidos para repassar parte do seu salário começaram no início de 2019, logo após Janones assumir o seu primeiro mandato. O parlamentar foi reeleito no ano passado. Segundo o ex-funcionário, a responsável pela arrecadação dos recursos juntos aos assessores de Janones era Leandra Guedes (Avante), atual prefeita de Ituiutaba, em Minas Gerais, e aliada de confiança do parlamentar. Ela foi procurada pelo GLOBO por meio de sua assessoria, mas não se manifestou.

— O primeiro pedido ocorreu em 5 de fevereiro de 2019, assim que ele se elegeu pela primeira vez. Depois disso, todos passaram a repassar um percentual de seus salários em dinheiro vivo, ninguém fazia transferência bancária para a Leandra. Quem ganhava menos também doava, era uma contribuição proporcional, inclusive em cima do 13º salário de cada um — afirmou Paulino.

Ainda de acordo com o ex-funcionário, Janones passou a pedir aos servidores que pagassem despesas pessoais do deputado, em vez de enviar parte do salário diretamente a ele. Paulino, no entanto, diz que não chegou a repassar os valores.

— No final de 2021, passamos a pagar do próprio bolso, despesas como a hospedagem do site e alimentação do deputado. O objetivo era não caracterizar o repasse, de forma tão aberta. Era a Leandra quem fazia a contabilidade dos gastos que cada um deveria ter e coordenava os saques feitos na primeira fase da rachadinha — disse o ex-assessor.

Lotado no gabinete de Janones entre fevereiro de 2019 e dezembro de 2021, Oliveira diz que, além das despesas, os servidores eram obrigados a fazer doações ao Avante, partido do qual Janones faz parte. O ex-assessor contou ter começado a trabalhar com o deputado ainda em 2018, de forma voluntária, e ter passado a integrar o seu gabinete em 2019, após a eleição. Ele deixou o gabinete do parlamentar em dezembro de 2021, com um salário de R$ 9.460.

— De início, Janones tratava o assunto com muitos cuidados, ele colocava panos quentes para não caracterizar rachadinha. Eu estava entrando na vida pública, não conhecia o crime de peculato, não sabia o que era uma rachadinha e as implicações da sua ilegalidade. Os repasses dos valores recebidos chegaram a 60% dos totais dos salários, inclusive do 13º. Janones e a Leandra chegaram a obrigar funcionários a fazer contribuiçõies mensais ao Avante, com parte dos seus salários. O pedido, na primeira fase do esquema, era para que o dinheiro sacado em espécie fosse repassado na casa de outros funcionários, em uma ou duas parcelas — afirmou.

Procurado para comentar as declarações do ex-assessores, Janones não retonou os contatos.

Como noticiou o colunista Lauro Jardim, o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro vai pedir a cassação de Janones no Conselho de Ética da Câmara e também no Supremo Tribunal Federal (STF). Além de acusá-lo de rachadinha, o PL também vai usar como base do pedido de cassação as informações que constam no livro de Janones, que revelam que ele difundiu fake news durante a campanha eleitoral de 2022.

O deputado participou da campanha que elegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ano passado, colaborando com a equipe de comunicação do petista. Na ocasião, organizou lives com o então candidato para falar sobre Bolsa Família.

Bolsonaro já acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a cassação do mandato de Janones e a inelegibilidade dele por difundir fake news durante a campanha presidencial.

Fonte: Terra Brasil Notícias.

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