Fernando Sarney assume CBF em meio à crise

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Novo interventor enfrenta desafios em eleição e estabilidade

O futebol brasileiro foi novamente abalado por uma reviravolta nos bastidores da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Nesta quinta-feira, 15 de maio de 2025, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) afastou Ednaldo Rodrigues da presidência da entidade, nomeando Fernando Sarney, vice-presidente e filho do ex-presidente da República José Sarney, como presidente interino e interventor. A decisão, assinada pelo desembargador Gabriel de Oliveira Zefiro, determina a convocação urgente de novas eleições para a diretoria da CBF, mergulhando a entidade em mais um capítulo de instabilidade institucional.

Contexto do Afastamento de Ednaldo Rodrigues

A destituição de Ednaldo Rodrigues, que já havia sido afastado em dezembro de 2023, está ligada a suspeitas de irregularidades em um acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no início de 2025. O documento, que garantiu a permanência de Rodrigues no cargo, foi questionado por Fernando Sarney, que alegou vício de consentimento devido à possível falsificação da assinatura de Antônio Carlos Nunes Lima, o Coronel Nunes, ex-presidente da CBF. Um laudo grafotécnico apresentado ao TJRJ concluiu que não é possível confirmar a autenticidade da assinatura de Nunes, de 86 anos, que enfrenta problemas de saúde, incluindo um tumor cerebral e cardiopatia grave.

O caso chegou ao STF, mas o ministro Gilmar Mendes recusou o pedido de anulação do acordo, encaminhando-o ao TJRJ para apuração imediata. A decisão de Zefiro, que considerou Sarney o vice-presidente mais antigo da entidade, reforça a anulação da eleição de Rodrigues e impõe a Sarney a responsabilidade de conduzir a CBF até a realização de um novo pleito, previsto para ocorrer em até 60 dias, conforme o estatuto da confederação.

Quem é Fernando Sarney?

Aos 70 anos, Fernando José Macieira Sarney é uma figura influente no futebol brasileiro há quase três décadas. Filho de José Sarney, ex-presidente do Brasil (1985-1990), e irmão dos políticos Roseana Sarney e José Sarney Filho, ele ingressou na CBF em 1998 como diretor de relações governamentais. Em 2004, tornou-se vice-presidente durante a gestão de Ricardo Teixeira, mantendo-se em cargos de destaque nas administrações de José Maria Marin, Marco Polo Del Nero, Rogério Caboclo e Ednaldo Rodrigues.

Sarney também ganhou projeção internacional ao assumir uma cadeira no Comitê Executivo da FIFA em 2015, indicado por Del Nero após o escândalo do Fifagate. Sua trajetória, porém, não é isenta de controvérsias. Entre 2007 e 2010, ele foi investigado pela Polícia Federal na Operação Faktor (anteriormente Boi Barrica), que apurava suspeitas de evasão de divisas e fraudes em licitações no Maranhão. Apesar das acusações, não houve condenação definitiva. Em 2009, Sarney obteve uma liminar judicial para proibir o jornal O Estado de S. Paulo de publicar informações sobre o caso, medida que gerou críticas por suposta censura à imprensa.

Missão de Sarney na CBF

Como presidente interino, Fernando Sarney tem a tarefa de estabilizar a CBF em um momento de crise política. Sua principal missão é organizar eleições para a diretoria do quadriênio 2025-2029, garantindo a transparência do processo. Ele já anunciou que convocará o pleito “o mais rápido possível” e que tomará medidas para evitar prejuízos ao futebol brasileiro, incluindo a gestão das seleções masculina e feminina para competições como a Copa América e as Olimpíadas.

Sarney também sinalizou que não interferirá em decisões estratégicas, como o acerto com o técnico Carlo Ancelotti, destacando seu papel transitório: “Não vou mexer com isso, não. O futebol segue a sua vida. Sou apenas transitório”. Essa postura busca evitar mais turbulências, especialmente após a contratação de Ancelotti ser apontada como uma possível manobra para desviar atenções da crise interna.

Instabilidade Crônica na CBF

A CBF enfrenta um histórico de crises institucionais. Desde a saída de Marco Polo Del Nero, em 2017, a entidade viveu sucessivas trocas de comando, marcadas por escândalos e judicialização. A presidência de Ednaldo Rodrigues, iniciada como um marco por sua representatividade, foi interrompida pela segunda vez, evidenciando a fragilidade da governança da confederação. A ausência de apoio de vice-presidentes e federações estaduais a Rodrigues durante a crise reforça a percepção de divisões internas.

Desafios e Perspectivas

O futuro da CBF depende da capacidade de Sarney em conduzir um processo eleitoral justo e da resolução das tensões políticas dentro da entidade. A decisão judicial também levanta questões sobre a influência de figuras tradicionais do establishment político no futebol, com Sarney sendo visto como parte do “velho establishment” brasileiro. Enquanto isso, Ednaldo Rodrigues tenta reverter o afastamento no STF, mas fontes indicam pouco otimismo para sua volta.

A CBF permanece em um momento delicado, com o futebol brasileiro sob os holofotes não apenas pelas competições em campo, mas também pelas disputas nos tribunais. A administração de Sarney, mesmo que temporária, será crucial para determinar se a entidade conseguirá recuperar a estabilidade ou se continuará refém de suas crises internas.

Fonte: CNN.

Da Redação.

Jornalista


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